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domingo, 26 de maio de 2013

Vem aí uma Terceira via com nome surpresa

 
 Senador Gim Argello, meio abandonado pelo PT, debaixo de silêncio, constrói a terceira via de centro-direita com um nome surpresa. As discussões em torno de uma terceira via passando ao largo das duas candidaturas de esquerda, no caso a do governador Agnelo Queiroz (PT) liderando um leque de partido e, na outra, o senador Rodrigo Rollemberg (PSB), aguçam o imaginário dos atores políticos do Distrito Federal. Especulação é o que não falta, principalmente depois que o PT descartou a participação do senador Gim Argello (PTB), que busca a reeleição, na chapa majoritária. Ao retornar para a Secretaria de Habitação o deputado federal Geraldo Magela, o PT sinalizou que a vaga para a disputa do Senado é do partido. Este debate já vinha acontecendo e se multiplicando dentro do PT. Num primeiro momento, a questão era se Agnelo teria fôlego para chegar em 2014 com chances de igualdade com os concorrentes. Falava-se que ele poderia ser substituído. Embora ninguém admita — caso Agnelo continue amargando números ruins na avaliação do brasiliense —, é bem provável que ele fique até o final no governo e seja trocado por outro nome. Gim, que de bobo não tem nada, já foi sondado por um grupo de empresários com contas bancárias acima de seis zeros, para avaliar uma terceira via. Houve duas reuniões. Uma em São Paulo e outra recentemente em Brasília. O personagem que encabeça o nome para governo, está sendo mantido em segredo digno de cofre bancário. Na rodada de conversas já participou o ex-governador José Roberto Arruda, que a princípio teria gostado da ideia, mas não sinalizou nada ainda. Gim participou de todas as conversas e está avaliando qual caminho vai seguir. O senador não quer olhar o futuro com ansiedade, preferindo trafegar numa estrada mais segura, politicamente falando, sem ser atropelado pelas indefinições de aliados, como foi o caso do PT. Gim tem plena convicção de que o PT, depois de atropelá-lo, não vai dar meia volta e estacionar o carro ao seu lado. Sendo assim, ele costura a terceira via calado e sem assustar os adversários. Enquanto isso, Agnelo vai mexendo nas regiões administrativas, cobrando mais comunicação e tapando o sol com a peneira. A última façanha foi trocar o secretário da região Metropolitana do DF, Arquicelso Bites, por Paulo Roriz, que vem a ser sobrinho de Zequinha Roriz. Tanto esforço e quebra de regras ideológicas tem um nome: sucessão. Sua estratégia e colocar as ovelhas desgarradas do arrudismo e do rorizismo sob a proteção do Palácio do Buriti. É a história: o fim justifica os meios, principalmente em política. 
 Fonte: Jornal Opção – Coluna Brasília – Wilson Silvestre

quarta-feira, 17 de abril de 2013

PPS e PMN aprovam fusão e criam novo partido


Com o nome de Mobilização Democrática, nova legenda nasce com 13 deputados federais, prometendo fazer oposição a Dilma e construir “projeto alternativo” para o país em 2014
Correndo contra o relógio para garantir o repasse do Fundo Partidário e tempo no horário eleitoral gratuito, as direções do PPS e do PMN aprovaram, nesta quarta-feira (17), a fusão dos dois partidos. Dessa união, nascerá a Mobilização Democrática (MD), que reunirá, de início, 13 deputados federais, 58 deputados estaduais, 147 prefeitos e 2.527 vereadores. O novo partido promete fazer oposição ao governo federal e construir um “projeto alternativo” para o país na eleição presidencial de 2014. A ideia é aumentar a bancada no Congresso com a atração de políticos de outras legendas. A Mobilização Democrática sinaliza apoio ao governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), cotado para a sucessão presidencial, e flerta com o ex-governador de São Paulo José Serra, cada vez mais isolado no PSDB.
As direções do PPS e do PMN se reúnem, no início desta tarde, em Brasília, para confirmar a fusão e votar o novo estatuto partidário, que será registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A união entre as duas siglas foi aprovada, primeiro, pelo PMN, nessa madrugada. Depois foi a vez do PPS, que aprovou a fusão nesta manhã, por 62 votos a dois, durante congresso extraordinário. Em todo o país, os dois partidos somam 683.420 filiados.
Dinheiro e tempo
A decisão das duas legendas de se fundir foi acelerada com a votação do projeto de lei que restringe o acesso ao fundo partidário e do tempo de rádio e TV para novos partidos. O requerimento de urgência para votação da proposta, apresentada pelo deputado Edinho Araújo(PMDB-SP), foi aprovado ontem pela Câmara. O projeto deve ser votado no início desta tarde pelos deputados.
A votação promete polêmica. Na semana passada, parlamentares trocaram acusações durante a votação do regime de urgência para a análise da proposta. Alguns deputados, como Alfredo Sirkis (PV-RJ) e Walter Feldman (PSDB-SP), alegam que o objetivo do projeto é inviabilizar o projeto político da ex-ministra Marina Silva, que colhe assinaturas para a criação de um novo partido, que deve se chamar Rede. Aliados de Marina, Sirkis e Feldman são nomes certos para a nova legenda da ex-candidata à Presidência da República, que obteve mais de 20 milhões de votos em 2010.
Mudança nos repasses
De acordo com as leis que regulam os partidos políticos e estabelecem normas para as eleições (9.096/95 e 9.504/97), as verbas do fundo partidário são distribuídas da seguinte forma: 5% para todos os partidos com registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e 95% para os partidos com representação na Câmara, na proporção de seus votos. Já o horário eleitoral gratuito tem a seguinte divisão: 1/3 para todos os partidos e 2/3 para aqueles com deputados federais, ainda na mesma proporção dos parlamentares eleitos.
Pela proposta, não deverão ser consideradas quaisquer mudanças de filiação partidária entre os deputados para o cálculo dessas cotas. Ou seja, caso os parlamentares resolvam mudar de partido depois das eleições, seja a legenda já existente ou não, a distribuição inicial do fundo partidário e do horário eleitoral será mantida.
Fonte: Congresso em Foco

terça-feira, 16 de abril de 2013

TJDFT condena José Roberto Arruda e seu ex-secretário de obras Márcio Machado


EX-GOVERNADOR DO DF É CONDENADO A 5 ANOS DE DETENÇÃO E PAGAMENTO DE MULTA DE 400 MIL


O ex-Governador do DF, José Roberto Arruda, e o ex-Secretário de Obras do DF, Márcio Edvandro Rocha Machado, foram condenados por dispensa indevida de licitação, na contratação da empresa Mendes Júnior Trading Engenharia para reformar o Ginásio Nilson Nelson, em 2008. O crime está previsto no artigo 89 da Lei 8.666.93. A sentença foi proferida pelo juiz da 4ª Vara Criminal de Brasília na ação penal ajuizada pelo MPDFT. ...

Arruda foi condenado a 5 anos e quatro meses de detenção, em regime semi-aberto, mais pagamento de multa no valor 4% do valor do contrato administrativo n° 120/2008 de R$ 9.998.896,70, o que corresponde a cerca de R$ 400 mil. Márcio Edvandro foi condenado a 4 anos e oito meses de detenção, em regime semi-aberto, e pagamento de multa de 3% do valor do contrato, o correspondente a cerca de R$ 300 mil. As multas deverão ser corrigidas da data de assinatura do contrato, 22/7/2008. 

Na denúnica, o MPDFT relatou que em dezembro de 2005, o Brasil foi escolhido para sediar o Campeonato Mundial de Futsal de 2008. Rio de Janeiro e Brasília sediariam o evento. Em 2007, o GDF e o Comitê Organizador assinaram o termo de compromisso, no qual a escolha de Brasília foi formalizada. Porém, mesmo sabendo que a cidade não tinha condições de abrigar o evento internacional, o então Governador Arruda deixou para iniciar os procedimentos burocráticos para a reforma do ginásio Nilson Nelson, onde seriam realizados os jogos, em fevereiro de 2008. Por conta da demora, vários contratos foram firmados na forma direta, com dispensa de licitação.

Segundo o MP, “a Administração não pode agir com o fim de "fabricar" uma suposta emergência e com isso burlar a obrigatoriedade da licitação, tornando regra o que deveria ser a exceção. Do contrário, administradores poderão sempre tirar proveito da própria omissão ou morosidade (ou seja, da própria torpeza), até que em um determinado momento a situação de emergência esteja configurada como fato consumado e irreversível”, afirmou.

Próximo à data de realização dos jogos (outubro de 2008) e diante da pressão da FIFA, o acusado Márcio Edvandro Rocha Machado por meio de um ofício datado de 10/07/2008 e sem numeração comunicou ao então Governador José Roberto Arruda a impossibilidade da reforma do Ginásio Nilson Nelson devido a exiguidade temporal e da ausência de verba orçamentária prometida pelo Ministério dos Esportes e pediu expressamente autorização para realização do contrato com dispensa de licitação. A autorização foi dada e a empresa Mendes Júnior contratada de forma emergencial. 

Na fase de instrução, os réus negaram em depoimento as acusações do MP. Alegaram que a dispensa foi devida e teve por justificativa a adequação às exigências da FIFA e o não envio de parte dos recursos para a reforma prometidos pela União.

Na sentença condenatória, o juiz afirmou: “as autodefesas dos acusados não lhes socorrem em suas pretensões diante do conjunto probatório amplamente desfavorável a ambos. O acusado José Roberto Arruda, dispunha de tempo suficiente para adequar-se às exigências da FIFA, que por sua vez, não é nenhuma entidade estatal a ponto de pressionar, nesse sentido, qualquer Estado soberano como alegaram os acusados para dispensarem a licitação em caráter emergencial. Diante disso, e aderindo a conduta delitiva do réu José Roberto Arruda, o corréu Márcio Edvandro, afirmou que “...recebeu uma determinação do governador para a contratação emergencial das obras, sem licitação...”. Nota-se, no presente caso, que a “determinação”, na verdade foi fruto do conluio entre ambos, uma vez que o acusado Márcio Edvandro sugeriu ao codenunciado José Roberto Arruda por intermédio de ofício que seria necessária a dispensa da licitação pelo caráter emergencial. A ilegalidade e a voracidade na malversação do dinheiro público foram tão exacerbadas que os acusados menosprezaram que desde novembro de 2007 até a época da realização do campeonato foram 10 meses para planejarem, organizarem, buscarem recursos e cumprirem as exigências e as decorrentes do evento de forma legal e moral, sem ingressarem na seara da ilicitude administrativa e penal”.

Ainda cabe recurso.

Processo: 2010.01.1.179348-6
Fonte: TJDFT/Redação - 16/04/2013

sábado, 6 de abril de 2013

CICLOFAIXA NO EIXO MONUMENTAL: FALTOU DINHEIRO PARA A TINTA, AGNELO?


A implantação de ciclofaixas é uma ideia louvável! Porém, eu tenho críticas a fazer pelo modo como esse governo está implantando as ciclofaixas e ciclovias..

Me parece que o Governo Agnelo tem uma visão equivocada sobre as ciclovias, pois o que vemos é que elas ligam nada a lugar nenhum em grande parte do DF, ou seja, a ciclovia não é para contribuir de forma eficiente na diminuição de carros e mobilidade urbana, mas como opção de uso de bicicletas apenas para o lazer. Um exemplo: tentem sair da esplanada para a UNB... Tem uma ciclovia na UNB e uma ciclofaixa na Esplanada entretanto, elas não estão integradas, nem mesmo as melecas de ciclofaixas ao longo da asa sul e asa norte estão integradas a esplanada a fim de que as pessoas que desejem ir trabalhar durante a semana de bibcicleta tenham segurança.

Eu moro na Vila Planalto, trabalho no Senado e estudo na UNB. Se as ciclovias e ciclofaixas fossem integradas eu e grande parte dos moradores da Vila estudantes da UNB poderiam usar bicicletas para a locomoção devido a proximidade... Entretanto, a ciclovia da UNB liga nada a lugar nenhum e a da Esplanada está apenas no Eixo Monumental...


No mais, o que realmente me incomoda é a má qualidade das obras desse governo. A qualidade da ciclovia da Asa Sul e Asa Norte é tão ruim que já virou alvo de denúncia do TCDF. E o que falar da ciclofaixa? Será que faltou dinheiro para comprar tinta? Por que esses governos tratam tão mal a nossa cidade?

Vejam como são as ciclofaixas em várias cidades do Brasil e do mundo e compare com a ciclofaixa que o Agnelo fez no Eixo Monumental:


Agora, veja a "beleza" da ciclofaixa do Agnelo:



Faltou tinta, Agnelo? Se você continuar a fazer essas "cagadas" pela cidade, esses grupos políticos que te apoiam , vão sair da sua rabeira, voltar ao Poder e pintar a ciclofaixa toda de Azul Roriz... ou de Verde Arruda, para a cor ficar mimetizada com a grama do Eixo Monumental... Think about! ;)

Fonte: Leiliane Rebouças






domingo, 20 de janeiro de 2013

Sem o PMDB, oposição perde para Agnelo



Muita gente quer desbancar Agnelo Queiroz (PT), ou pelo menos sonha com essa possibilidade. Só tem um problema: como vencer um governador que, mesmo mal avaliado tem um orçamento de R$ 30 bilhões para gastar em 2013, ano pré-eleitoral e, portanto, com chances de reverter qualquer quadro ruim na gestão? Outro fator que em política significa suicídio: oposições divididas. ...

Prevalecendo a teimosia e vaidade de cada um dos participantes da corrida eleitoral em ser o cabeça de chapa, Agnelo nem precisa fazer muita força. Ganha de lavada. Vamos aos grupos. Começando pelo bloco de esquerda liderados pelos senadores Rodrigo Rollem-berg (PSB) – candidatíssimo a governador – e Cristovam Buar-que (PDT). Aliados a eles, PSol e PPS. Este bloco talvez seja o que mais pode arranhar os votos de Agnelo, pois vai caminhar na mesma trilha do PT. Porém, com uma vantagem de capitalizar o votos da classe média e dos funcionários burocráticos. Outro segmento que pode acompanhar este bloco com fervor, será os dos professores. Esta categoria vive às turras com o GDF e não esconde a frustração com os rumos da educação no DF. Rollemberg não tem nada a perder pois terá mais quatro anos de mandato. Cristovam a mesma coisa. E a não ser que haja um racha entre eles, são os favoritos.

Passando para o bloco do PSD que tem dois possíveis postulantes à cadeira do Buriti: presidente do PSD regional, Rogério Rosso, e sua companheira de partido, Eliana Pedrosa. O partido anda meio alquebrado por conta das indefinições de suas duas deputadas, Celina Leão e Liliane. Ambas, sempre que existe uma possibilidade do PSD ir para a base da presidente Dilma Rousseff, ameaçam pular fora. Rogério Rosso terá muito trabalho para convencer Eliana a desistir a seu favor e vice- versa.

No fundo da quadra de ensaios está o baticum meio fraco do aguerrido deputado federal Izalci Lucas, tucano com bico comprido e recheado de garantias do presidente regional da legenda, Márcio Machado. Ele tem de convencer os emplumados da executiva nacional, que ele é o cara para disputar o governo. Mas, com quais aliados? Sozinho? Sem estrutura partidária, anos a fio fora do poder... Só com o discurso de oposição, o voo será muito curto.

Alberto Fraga (DEM) é outro solitário guerrilheiro que imagina reunir em torno de seu nome as ovelhas desgarradas do arrudismo e outros. Meio desgarrado encontra-se o PTB do senador Gim Argello, PP de Benedito Domingos e o PEN de Alírio Neto. Gim Argello só deseja ser reeleito para a única vaga no Senado. Qualquer chance de apoio para este projeto ele topa. Lembre-se: ele é um animal político. Benedito e Alírio têm pretensões modestas, quando muito deputado federal. Alírio sabe que o PEN fora das asas do poder desaparece.

A pergunta que se faz é esta: por que não reúnem todos em torno do PMDB criando uma terceira via e isolando os dois blocos de esquerda? Calma, não me atirem pedras antes dos argumentos. Qual é o problema de ter o PMDB liderando este bloco? Todos são antigos companheiros dos governos anteriores onde conviviam em harmonia. É bom recordar que o maior inimigo do ex-governador José Roberto Arruda foram a arrogância e a vaidade. Estes dois vírus são mortais quando atacam um político.

Voltemos ao tema. O PMDB tem estrutura partidária, financiadores, e o perfil ideológico que as pessoas hoje buscam: convergência. Outro fator: o PT não terá como atacar o PMDB frontalmente pois ele é o principal aliado a nível federal. Claro que este exercício de futurologia só terá efeitos se todos descerem de seus pedestais. Outro desafio é abordar este tema com o vice-governador Tadeu Filippelli. Ele se recolheu novamente ao seu mosteiro para meditação beneditina.
Fonte: Jornal Opção - 20/01/2013

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Hospitais são acusados de substituir médicos por enfermeiros em cirurgias

Técnicos de enfermagem garantem que estão fazendo o papel do médico auxiliar durante as operações em cinco hospitais particulares.
Eles dizem que acatam a determinação com medo de perder seus empregos.
- Por Saulo Araújo, do Correio Braziliense -
Hospitais privados do Distrito Federal estão sendo acusados de substituírem médicos auxiliares por técnicos em enfermagem durante a realização de cirurgias.
A prática é denunciada por dezenas de funcionários das maiores unidades de saúde da capital. Pelas normas do Conselho Federal de Medicina (CFM), cada procedimento deve ter a participação de, no mínimo, dois cirurgiões, mas há indícios de que muitos especialistas têm ignorado as regras com a conivência dos gestores dos estabelecimentos.

O Correio teve acesso a prontuários e vídeos que revelam a ausência de médicos auxiliares em centros cirúrgicos. Em uma das imagens, supostamente gravadas no Hospital Anchieta, em Taguatinga, um médico determina quais os comandos uma mulher deve executar. Ela só tem o curso de técnico e sua única função deveria ser abastecê-lo com instrumentos, como bisturis e pinças.

Sem a presença do médico auxiliar na sala, fica a cargo de um profissional sem preparo dar segurança e estabilidade ao paciente, além de separar órgãos e posicionar tecidos.

Há ainda suspeita de falsificação de documentos para omitir a fraude nos hospitais. Segundo o Sindicato dos Técnicos em Enfermagem do DF (Sindate), ao preencher o formulário em que o médico detalha o que ocorreu na cirurgia, o nome de um segundo cirurgião sempre é inserido, justamente para esconder a irregularidade.
 
Fonte: Correio Web

Entorno do DF concentra quase 40% dos assassinatos de Goiás



Com 1,15 milhão de habitantes, região tem 20% da população do estado
Média de homicídios é o triplo da taxa nacional, diz Ministério Público.
- Por Naiara Leão, do G1 DF -
As 19 cidades de Goiás no Entorno do Distrito Federal são responsáveis por quase 40% dos casos de homicídio registrados no estado em 2010, embora concentrem apenas 20% da população. Apesar de ter o triplo da média nacional de assassinatos – há cidades com 75 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes, de acordo com o Ministério Público de Goiás (MP-GO) – a região não tem delegacia de homicídios. Outras três cidades mineiras integram a região.

Segundo o MP, as cidades goianas do Entorno têm 6 mil mandados de prisão não cumpridos, 10 mil inquéritos parados. Nenhuma cidade do Entorno tem mais de quatro juízes. É o caso, por exemplo, da cidade goiana do Novo Gama. Uma rua separa o município da região administrativa do Gama, no Distrito Federal, onde há 12 juízes.

"É impunidade. É uma região sem aplicabilidade da Justiça. As pessoas começam a pensar que o crime no Entorno compensa. A quantidade de inquéritos me assusta", afirma o coronel Edson Costa Araújo, coordenador do Gabinete de Gestão de Segurança do Entorno, órgão ligado à Secretaria de Segurança Pública de Goiás.
O gabinete foi criado em fevereiro passado para tentar reverter os altos índices de criminalidade da região. “O sistema de segurança pública é quase inexistente."
Policiais de Goiás afixaram outdoors alertando sobre a violência.
 
Por conta de toda essa situação, policiais de Goiás que atuam na região colocaram outdoors na divisa entre o Distrito Federal e duas das cidades mais violentas do Entorno – Águas Lindas e Valparaíso – alertando motoristas sobre a falta de segurança. “Cuidado. Você está entrando em uma das regiões mais violentas do planeta”, diziam os outdoors.

Depois de meses de estudo, Araújo diz que devem ser criadas no Entorno companhias de polícia nos moldes das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), implantadas em favelas dominadas pelo tráfico no Rio de Janeiro. Segundo ele, a ideia é colocar na rua uma polícia comunitária, que se aproxime da população.
Clique na imagem para ampliar.
 
O Entorno do DF abriga 19 municípios de Goiás e 3 de Minas Gerais em 19 mil km². Em 2010, segundo o IBGE, a população era de 1.149 milhão de habitantes. Muitos moradores da região trabalham e votam no DF devido à proximidade com a capital. Entre 2006 e 2010, 47,4 mil pessoas da região transferiram o título de eleitor para o DF, segundo o Ministério Público Eleitoral. (Foto: Reprodução)

Nessas companhias devem trabalhar policiais recém-formados, para evitar "contaminação" pela corrupção, disse. Sua implantação deve ser acompanhada de políticas públicas em outras áreas, como saneamento e abertura de escolas, diz Araújo. O projeto ainda depende de aprovação do governo de Goiás.

Atualmente, a região conta com 390 policiais civis, quando o necessário seriam pelo menos mil, segundo o presidente do sindicato dos policiais, Silveira Alves. Eles trabalham com poucos equipamentos, munição comprada do próprio bolso, balas e coletes vencidos e em viaturas sem rádio e com pneus carecas, afirma.

Na delegacia da mulher de Luziânia, que até o início do mês era a única em todo o Entorno, não há um espaço reservado para ouvir as vítimas de estupro, e os agentes escolhem os casos em que há risco de vida para acompanharem, pois não há efetivo para atender a todos os casos.
Segundo a agente Deusa Moreno, as ocorrências envolvendo mulheres vem aumentando com a propagação do crack. No primeiro semestre foram 15 homicídios, contra 4 no mesmo período do ano passado. Desse total, apenas dois foram casos de violência doméstica. “O restante é relacionado a dívidas ou rixas por drogas e ciúmes de traficantes”, afirma Deusa.
É impunidade. É uma região sem aplicabilidade da Justiça. As pessoas começam a pensar que o crime no Entorno compensa. A quantidade de inquérito me assusta"

Coronel Edson Costa Araújo, coordenador do Gabinete de Gestão de Segurança do Entorno

Falta de Estado
Em março deste ano, ocorreram 71 homicídios nas cidades do Entorno, o que levou o governador de Goiás, Marconi Perillo, a pedir ajuda para a Força Nacional. Desde abril, a Força atua em alguns dos municípios mais violentos da região – Águas Lindas, Valparaíso, Cidade Ocidental, Luziânia e Novo Gama.
Soldados da Força Nacional atuam no Entorno desde abril de 2011.
 
Numa audiência pública sobre a segurança do Entorno, realizada na Câmara Legislativa do DF, no último dia 12, representantes das Secretarias de Segurança Pública do DF e de Goiás, do Ministério da Justiça, deputados distritais, especialistas e representantes da sociedade civil apontaram a ausência do Estado e de oportunidades como razões para a escalada de violência.
“Falta saúde, educação, emprego e oportunidade no Entorno. A discussão tem que ser sobre cidadania, transporte e educação. A pressão policial só faz com que o crime se desloque para outra área”, resumiu o especialista em segurança da Universidade de Brasília, Flávio Testa. “Todos fazem diagnóstico da região, mas isso não resolve. O que adianta é captar recurso e colocar em prática.”
 
Delegacia de Luziânia- GO. Falta de infra-estrutura. Foto: Naiara Leão/G1.
 
Delegacia em Luzinânia (acima), sem grades nas janelas, pneus rasgados e arecas em carro de polícia (esquerda), que não dispõe de rádio de comunicação (direita) (Foto: Naiara Leão/G1)
De acordo com a promotora de Justiça Patrícia Oliveira, a situação já foi pior. Ela coordena o Projeto Entorno do MP-GO, que desde 2007 acompanha a situação de segurança e social da região e cobra ações de Goiás, do DF e da União.

Para ela, duas ações são emergenciais para diminuir a violência no Entorno. “A primeira é convocar prioritariamente para lá, pelo menos 70% dos 300 policiais já aprovados em concurso”, diz. A segunda é a implantação de presídios em Formosa, Águas Lindas e Novo Gama.

Segundo ela, R$ 81 milhões para essas obras foram liberados em 2008 por um programa do Ministério da Justiça, mas permanecem nos cofres da União, pois nem o DF, nem Goiás, nem as prefeituras apresentaram projetos para construção.
Todos fazem diagnóstico da região, mas isso não resolve. O que adianta é captar recurso e colocar em prátic"
Flávio Testa, especialista em segurança da Universidade de Brasília
Estrutura precária
Os policiais civis que atuam no Entorno reclamam da falta de estrutura para trabalhar. Na 1ª Delegacia de Polícia de Valparaíso, visitada pelo G1, faltam grades nas janelas, o carro usado pelos policiais não tem rádio e os pneus estão carecas.

A contenção de gastos faz com que policiais que atuam no Entorno do Distrito Federal tenham uma cota de 11 balas por semestre, segundo um policial que pediu para ser identificado apenas como Rodrigo.

No curso de formação da Academia de Polícia, os agentes praticaram com 30 tiros. “Só para comparar, no último curso da Polícia Federal, o treinamento foi com 2.400 tiros”, disse Rodrigo, que afirmou ter custeado aulas à parte porque considerou a formação “insuficiente” e teve medo de errar ao ir para as ruas.
O coordenador do Gabinete de Gestão de Segurança do Entorno admite que a situação é precária, mas diz não ter saber da falta de quipamento básico. “Não tenho conhecimento disso”, disse. “As forças especializadas andam com mais munição. Pessoal do dia a dia tem um quantitativo adequado. Nunca chegou reclamação.”

R$ 10 bilhões é quanto o governo federal repassa ao DF anualmente para a área de segurança pelo Fundo Constitucional
Segundo ele, o investimento no Entorno beneficia não apenas as cidades de Goiás, mas também o Distrito Federal. “Tudo que é ruim para o Entorno é ruim para o DF. Estamos buscando saúde, educação. A segurança fica com flanco aberto. Investir no Entorno é muito bom para a capital.”
Segundo ele, a solução para a região deve ser compartilhada. “Precisamos de um decisão política, cada um dizendo o que vai fazer, com os custos claros. DF tem fundo constitucional [verba repassada pelo governo federal], de R$ 10 bilhões. Com um R$ 1 bilhão por ano, daríamos segurança ao Entorno”, diz Araújo.

O coordenador lembra da proximidade da Copa do Mundo – Brasília sediará jogos da competição e pleiteia a abertura do mundial de 2014. “Vamos ter jogos da Copa do Mundo. Que cartão de visita é esse para o mundo?”, indaga. “O custo de estrutura e equipamento, fora pessoal e custeio, é bem mais aquém do que a preparação de um estádio da Copa.”
(Colaborou Rafaela Céo, do G1 DF)
 Fonte: Entorno do DF